4:00 horas da manhã... a dor de cabeça antes latente e massiva, agora está fraca graças aos analgésicos. Analgésicos que eu não tomava a mais de 6 meses, não os tomava na promessa de uma vida mais saudável. A decisão essa de levar uma vida saudável agora não faz mais tanto sentido. A dor é suportável, apenas essa dor é suportável. As imagens que vem a cabeça em flashes mostram um passado recente que eu desejava que a bebida tivesse apagado... Vadia... eu tento não me entregar e me entreter para esquecer, mas o cansaço vence e os olhos começarem a pesar. As náuseas causadas pela ressaca não fazem com que eu me sinta mal. Apesar do forte cheiro de cerveja que emana da camiseta jogada ao chão invadindo o quarto. Ligo o ventilador para dissipar o cheiro e deito com a cabeça sobre as mãos, mesmo após um banho frio o cheiro de cerveja não saiu da ponta dos dedos... Levanto-me, vou ao banheiro e lavo as mãos com sabonete liquido, volto ao quarto e agora o cheiro é de plantas silvestres misturados a cerveja... Não adianta esse cheiro irá perdurar, jogo a cabeça para trás e adormeço.
9:00 horas da manhã... o barulho familiar emitido pela minha porta quando aberta me faz acordar, fecho os olhos fortemente e molho os lábios secos pela falta de líquidos no corpo. Ainda atordoado pelo despertar repentino ouço a voz familiar da minha mãe me perguntando sobre meus planos e se eu gostaria de ir com o resto da família almoçar... Como de costume rejeitei, mas me levantei para pelo menos acompanhá-los no café da manhã. Já havia esquecido o efeito milagroso dos analgésicos sobre a resseca, a ausência da dor de cabeça aliviava a dor que me consumia... Puta... Como toda mãe atenciosa, minha mãe questiona sobre o dia anterior. Não estavam em casa quando retornei... Ainda bem, seria complicado explicar aquela situação. Digo que foi "Bom!!". Mentira, mas pra que preocupá-la com isso.
Termino o pão de queijo, levanto da mesa e vou até a geladeira abro e lá está ela. Abro a tampa e o barulho familiar do gás escapando atiçam meus ouvidos e aguçam meus sentidos, os lábios são molhados mais uma vez para abrir caminho pelo o que esta por vir. Paro por um momento, mas não adianta... The sweet taste invade minha boca e diretamente da boca da garrafa tomo dois goles adocicados de coca-cola, o sabor familiar me faz sorrir mais uma vez. Não estava contando, mas devia fazer umas três semanas que bebia apenas suco de laranja. Mas a questão de levar uma vida saudável novamente não parece tão recompensadora. A chuva que cai estraga meus planos de quem sabe passar o dia na praia bebendo. A vontade de fumar faz com que eu respire fundo imaginando a fumaça repleta de alcatrão e o aroma da nicotina invadindo meus pulmões e bolo planos para comprar um maço e esconde-lo, o cigarro jamais seria aprovado pela família, fiz meu pai largar o cigarro quando tinha nove anos... Seria muita incoerência doze anos depois eu aparecer fumando. O senso de autodestruição invadiu meu corpo de uma forma que não me preocupo mais com o que faço.
Tento livrar meus pensamentos me entretendo durante o dia... Arrumo meu computador. E saio para almoçar... Nachos e Sol Premium, vale enfatizar que nunca bebi durante o almoço, mas a vontade de fazer algo diferente de recomeçar a viver me faz testar coisas diferentes. Ando pelo shopping, paro no caixa eletrônico para tirar dinheiro... Uma das notas de R$ 20,00 amassa e fica pressa no caixa... O caixa engole a nota, olho para o teto e respiro fundo, viro as costas e vou embora. Não vai ser isso que vai me deixar nervoso, nada mais me deixa nervoso. Não tenho mais sentimentos me tornei apenas um corpo que sobrevive ao mundo... Olho para as mulheres no shopping, maquiadas andando ao lado de seus namorados que serão traídos futuramente... Vadia... Passo pela frente do espelho, a barba a fazer demonstra que a aparência não é mais uma preocupação, não devo maquiar quem eu sou. Jamais conseguirei confiar em alguém novamente. Compro dois ingressos e vejo dois filmes em seqüência... Filmes que contem sangue, rio ao ver as cenas brutais. Imagino outra pessoa nas cenas e sorrio. Os filmes acabam... Saio do cinema... Prostituta barata... entro no carro e venho para casa. No CD player a mesma música do dia anterior se repete, as palavras saíram da forma que eram para sair, a resposta não foi a esperada... E algum tempo depois a imagem de um beijo cura a bebedeira de forma mais eficiente que um tapa no rosto... Não me despeço, apenas desapareço...
It don’t matter
I won’t do what you say
You’ve got the money and the power
I won’t go your way
I can’t take for the people
They don’t matter at all
I’ll be waiting in the shadows
‘Til the day that you fall
Kasabian - Underdog
Wooooww *-*
20 minutos atrás

